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segunda-feira, junho 18, 2012

hora de rezar Corinthians...


Tite tem o aval da diretoria para continuar no Corinthians seja qual for o resultado das semifinais da Taça Libertadores contra o Santos. Apesar do crédito, o treinador prefere deixar o futuro para depois. Ciente da cobrança que receberá em caso de eliminação nesta quarta-feira, a partir das 21h50m, no Pacaembu, ele reconhece que no Brasil os técnicos possuem prazo de validade e evita falar sobre a continuidade.
- Primeiro, tenho a noção exata de quanto um técnico tem de desgaste em uma equipe. O tempo de duração não dá para comparar com a Europa. Sou agradecido ao Mário (Gobbi, presidente), mas quero terminar legal o ano. Se possível, fazer um grande jogo na quarta e deixar as coisas caminharem por si só – afirmou.

Tite sempre destaca a confiança que recebeu da cúpula do futebol corintiano nos últimos meses. Em 2011, o treinador foi mantido no cargo mesmo com a eliminação na fase prévia da Libertadores, diante do Tolima-COL. No mesmo ano, ficou com o vice-campeonato paulista e no segundo semestre conquistou o título brasileiro.
Agora, o discurso da diretoria é o mesmo. Gobbi descarta efetuar qualquer troca no comando técnico da equipe em caso de queda no torneio sul-americano. O contrato de Tite vai até 31 de dezembro. Só depois do Brasileirão o treinador quer conversar sobre a renovação ou se encerrará sua segunda passagem pelo Corinthians.
Em 2011, depois de levantar a taça do Brasileirão, as conversas para a prorrogação do vínculo quase se complicaram. O empresário do técnico, Gilmar Veloz, pediu um aumento salarial considerado extremamente alto pela direção. O acordo só aconteceu depois que o treinador passou a conversar com os dirigentes, reduzindo a pedida feita pelo agente.
- Sei que é o reconhecimento de um trabalho. Tenho um laço de afinidade, entendo a mensagem de confiança e sou grato ao Corinthians. Mas temos de ver a sequência, passo a passo e o que é melhor para o projeto do clube. Eu agradeço, mas vamos ter calma nessa sequência.


terça-feira, abril 03, 2012

Obrabilidade


“Obrabilidade”. Não adianta procurar, a palavra não consta no dicionário da língua portuguesa. Mas pode ser considerada novidade no manual de “Titês”. No último dia 30 de março, Tite visitou a obra do estádio do Corinthians, em Itaquera, e deu uma preleção para mais de mil funcionários.
        Campeão brasileiro no ano passado e no comando do time desde outubro de 2010 (ele teve outra passagem em 2004-2005), Tite não acredita que trabalhará como treinador do clube no novo estádio. Se a palestra para os funcionários era uma oportunidade única, pode-se dizer que sua atuação foi épica.
         De microfone na mão, capacete na cabeça e bota nos pés, como um engenheiro ou operário que caminha pelo canteiro da obra, Tite deu show. Manteve os mais de mil funcionários que iniciam o turno da manhã (no total são 1600 operários) atentos às suas palavras e sedentos por uma foto ou autógrafo.
- Quando recebi o convite para vir aqui, pensei: o que eu vou falar? Fui à busca de uma mensagem importante e na verdade não encontrei, mas eu posso dizer que recebi uma mensagem importante de vocês. Aprendi uma lição nessa abertura de trabalho: o ser humano vem antes do profissional – falou o técnico.
Com bandeiras do Brasil nas mãos e a euforia de um torcedor, os operários deram um clima de Copa do Mundo à palestra de Tite, realizada em uma das arquibancadas do palco da abertura do Mundial de 2014. E o que mais impressionou o técnico corintiano foi a preocupação de todos com a segurança.
- Fui convidado a dar um pontinho de arame para fazer parte dessa obra. Mas gostaria de dizer que essa não é a essência para mim. A essência para mim é participar dessa preleção e ver que saúde é fundamental. A prevenção de vocês não tem preço, e o não acidente é a vitória – acrescentou o comandante.
- Eu senti a responsabilidade que todos carregam, com tamanha importância e significado. Só que vem aqui sente isso. Não tem como explicar muito. É mais sentir do que falar. E quem não sente não pode externar – declarou Tite, que como recordação desse momento levou as luvas de proteção que usou.De luvas pretas e óculos escuros, Tite aceitou o convite do diretor de contratos da Odebrecht, Antonio Gavioli, e ajudou a dar nós de arame na estrutura de ferro de um muro na área sul do estádio. Cercado por engenheiros e armadores, o treinador teve uma atuação elogiável. Suficiente para ele entender como é ser operário.
Tite viveu uma experiência ímpar em sua carreira ao visitar o canteiro de obras do tão sonhado estádio do Timão. Teve certeza de sua popularidade entre a Fiel. A emoção em ver o treinador estava presente em cada grito de “Vai, Corinthians”, em cada foto, autógrafo ou aperto de mão.